Novo blog do Jornalista, radialista e acadêmico de Direito, Délio Pinheiro


























 
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Da vida não peço tanto assim, meus sonhos são tão banais, liberdade é o que peço, um pouco de amor, respeito e nada mais.



























Blog do Délio Pinheiro
 
Mensagens de amor e ódio: Domingo, Maio 31, 2009  
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A praça da imaginação

Sempre que vou a Serranópolis de Minas, minha terra natal, me surpreendo mais e mais com os ares de progresso que a cidade experimenta, em função da criação do parque Estadual do Talhado e Serra Nova e do asfalto que liga a jovem cidade a Porteirinha, inaugurado há pouco tempo, e que poderá representar a redenção do município, graças a sua vocação turística e seus rios cristalinos, cachoeiras e pinturas rupestres. Mas desta vez não foram esses dois assuntos, asfalto e turismo, que me apeteceram.
Na verdade me apaixonei pela biblioteca da cidade. Depois de muitos trâmites, desentendidos e toda sorte de burocracia, Serranópolis foi premiada com mais de dois mil livros novos, entre os quais se destacam as obras completas de García Márquez, Borges, Drummond e Oscar Wilde, para citar apenas alguns que manuseei com prazer e curiosidade numa rápida visita lá.
A bibliotecária Zilma, que, por sinal, é minha tia, é a guardiã deste valioso tesouro e passa o seu dia cercada por Vinicius, Cecílias e Nerudas. Ela estava na fase da catalogação dos acepipes literários recém chegados. Um trabalho que poderia ser maçante se não fosse um detalhe importante: “Eu vou catalogando e aí chego a um livro que me chama a atenção, então o jeito é parar e ler um pouco”, suspirou minha tia.
Assim que os livros chegaram, eles foram acondicionados numa rua pouco movimentada da cidade, numa sede provisória. Aliás, nenhuma das ruas por lá é agitada, o que é um dos encantos do antigo arraial de Jatobá.
Zilma, ao ver concluída a nova prefeitura, comemora, afinal a biblioteca passa a ter uma sala ampla e nova para acomodar mais adequadamente os “tesouros encadernados”.
O escritor João do Rio escreveu certa vez: “Oh! Sim, as ruas têm alma. Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira”. Isso Zilma talvez ainda não soubesse, mas a simples presença da biblioteca naquela ruazinha sem grandes encantos já a tornava a rua mais importante de Serranópolis, onde o conhecimento, o encantamento e a arte maior de Machados e Eças estava à disposição para quem quiser ter uma vida menos previsível.
No dia em que me deparei com esse pote de ouro no fim do arco-íris, lembro de ter chegado empolgado na casa de meus pais, já imaginando que nas próximas férias ocuparia meu tempo em Serranópolis com os papos amistosos, com as peladinhas no fim da tarde, com os passeios na serra e na barragem do rio Mosquito e com as visitas à biblioteca.
Eu mencionei a riqueza dos livros para minha mãe e a empregada doméstica de minha casa, a Ana, que é praticamente como alguém da família, disse que seu filho Wesley adora ler e que já beirou a biblioteca algumas vezes tentando vencer a timidez, mas que ainda não tinha tido coragem de entrar.
Vale ressaltar que Wesley é afilhado de minha tia Zilma, e mesmo assim ele ainda não lograra êxito em suas investidas. Depois de passar algumas vezes nos arredores da biblioteca, à espera de um sinal de aprovação de sua “dinha”, Leizinho, como é conhecido, sempre voltava para casa, sem conseguir vencer a esfinge de sua timidez.
Tenho certeza que Zilma lerá essa crônica. Assim ela saberá que basta um sorriso acolhedor para o imberbe Leizinho descobrir os encantos daquela sala mágica. E espero também que outras pessoas em Serranópolis leiam esse relato e possam freqüentar assiduamente os bancos confortáveis da nova biblioteca, e se deixar conduzir por Macondos empoeiradas e Veronas líricas tendo os grandes escritores da humanidade como cicerones.
E se você quiser saber onde fica essa biblioteca em Serranópolis, saiba que ela se localiza agora no endereço mais nobre da cidade, na moderna Prefeitura Municipal, na praça da Matriz, mas mesmo se ficasse na rua mais modesta, no rincão mais ermo ou nos cafundós mais empoeirados, ainda assim seria o endereço mais nobre de lá, aliás, de qualquer lugar.

Citação oportuna: "Deus nos deu um pênis e um cérebro, mas sangue suficiente para usar apenas um de cada vez” - Robin Willians

Filtro: Como achar um pote de ouro no fim do arco íris em meio a tanta quinquilharia, segundo esse serranopolitano arretado

Filme: Com esse friozinho nada melhor do que um filme do mestre Hitchcock. Sugiro "O homem que sabia demais"
Música do dia:
Livro:
Net: Site da revista Planeta no jornalismo
Outras Bossas: Decidi que 2010 será o ano em que lançarei meu próximo livro. Essa obra, já em fase final de revisão, será um romance. Aguarde maiores detalhes.
Pixels: Zoom


2:02 PM

Mensagens de amor e ódio: Sábado, Maio 23, 2009  
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Uma revisão necessária, e polêmica

Coube ao conceituado professor argentino Ricardo Rabinovich proferir a última palestra do Congresso de Direito realizado pelas Faculdades Santo Agostinho, neste mês de maio. O palestrante ocupou-se de um tema bastante espinhoso: a eutanásia.
As palavras iniciais do professor foram que a sala de aula deve ser um lugar de conflito, onde as idéias precisam ser confrontadas. Diante de um assunto tão controverso como o que ele iria abordar, a impressão que se deu é que aquele momento, o de sua palestra, também seria de confronto.

Grande parte da platéia certamente discordava do assunto antes do professor começar a demonstrar sua erudição através de citações e personagens históricos. O assunto, graças à sua complexidade e rejeição naturais, merecia um arcabouço teórico irrepreensível, e o palestrante se jogou neste desafio, embalando-nos com seu português cheio de sotaque portenho. Rabinovich desnudou o conceito de eutanásia ao longo dos séculos e mitigou os efeitos deletérios do tempo, que depuseram contra o sentido original da palavra “eutanásia”.

A palavra é oriunda do grego, e é formada pela junção de “eu” e “thanasia”. A palavra “thanasia” significava o processo de morrer, diferente de “thanatos” que significava, efetivamente, a morte.
Graças ao processo diacrônico urdido ao longo dos séculos, o sentido original se perdeu, e a palavra eutanásia passou a acumular uma carga valorativa malfazeja. O empenho do professor foi no sentido de restituir a idéia original, aproximando o termo do “ato de morrer com dignidade”, depois de cessadas as tentativas de se restituir a saúde, procurando não insistir em procedimentos fadados ao fracasso. E esse “direito”, segundo ele, é do “eu”, é individual, e deveria ser benquisto pela sociedade, sob pena de mascararmos nossa efêmera condição humana.

O palestrante citou diversas passagens literárias onde o termo original foi citado, desprovido de qualquer ranço negativo. Na obra de Myrmiki, por exemplo, estava escrito que “de todas as coisas que o homem deseja obter, nada há melhor que uma eutanásia”. Essa, por sinal, foi a citação mais antiga pinçada por ele em sua pesquisa. Rabinovich mencionou que a origem da palavra não está em sisudos tratados médicos ou jurídicos, mas sim nas antigas comédias gregas, o que demonstra inequivocamente que em sua gênese a palavra não coadunava com os sentimentos contraproducentes que atualmente a cercam.

Ático, contemporâneo e melhor amigo do grande orador Cícero, também empregou a palavra em seus textos. O mesmo se deu, muitos séculos adiante, com Francis Bacon, que dizia que “a eutanásia é uma coisa médica e um direito do paciente”. Foi citado o exemplo de Epicuro, que também se referiu a eutanásia de uma maneira positiva, como algo virtuoso.
Lembro-me de ter lido um artigo recente onde seu autor aborda o que ele chama de “erro de interpretação” por parte dos estudiosos no tocante à obra de Epicuro, que vem a calhar na proposta defendida por Rabinovich, de que a palavra eutanásia perdeu seus predicados originais com o passar do tempo. Epicuro é lembrado como alguém hedonista, daí a expressão epicurismo, que, entre outros significados, está associada à sensualidade e ao desregramento de costumes.

Mas, segundo o autor do artigo, seus ensinamentos foram incompreendidos, já que o “prazer” proposto por ele passava por um modus vivendi desprovido de luxos e excessos, e não ligado ao prazer sexual, propriamente dito.
Assim como o autor deste artigo lançou um novo olhar sobre a obra de Epicuro, atribuindo-lhe novos significados, Rabinovich trouxe à tona novas percepções sobre um tema delicado como a eutanásia.
O palestrante citou, além de Bacon, outro pensador católico, Tomas More, que também defendia a eutanásia como algo aceitável e, até certo ponto, provido de nobreza. Este último pensador, por sinal, acabou se tornando um santo da religião de Roma, e “patrono dos políticos” na hierarquia celestial ditada pelos ritos católicos.

Rabinovich também abordou em sua palestra episódios relativamente atuais, como os estudos que precederam à chamada “solução final”, impetrada pelos oficiais nazistas comandados por Adolf Hitler, e que culminaram nos “genocídios”. Assim mesmo, no plural, já que o professor argentino lembrou em sua fala que, além dos judeus, também os negros, ciganos, homossexuais e outras minorias, foram aniquiladas a mancheias, adotando o preceito, evidentemente distorcido, da eliminação das “vidas que não merecem serem vidas”.

Alexis Carrel foi um desses pensadores. Para ele “o melhor tratamento para criminosos e deficientes mentais são as câmaras de gás”. Essa premissa foi usada, e cruelmente adaptada, para legitimar a mancha indelével que foi o nazismo e seus extermínios em massa. A Segunda Grande Mundial, segundo o palestrante, foi um marco na diacronia da palavra eutanásia. Ela passou a designar a “morte boa para a comunidade”, e não mais para o “eu”.
O argentino, depois de dezenas de citações, defendeu abertamente que todas as pessoas deveriam escolher seu destino, quando é possível interferir. Essa autonomia em relação a todos os aspectos da vida, incluindo a própria morte, está em não aceitar certos procedimentos médicos que só servem, segundo ele, para mascarar o inevitável, e que deveria ser pessoal a decisão de interromper o fluxo de oxigênio e nutrientes para um corpo fadado à morte.

“O direito sobre a vida inclui escolher, quando se pode, sua própria eutanásia”, com essa frase o palestrante chegou onde queria. Ele fizera uma defesa concisa e sem lacunas sobre o assunto, desarmando muitos dos que assistiam a seu discurso. Ele havia vencido o confronto, ao expor elementos tão convincentes acerca do assunto. Claro que muitos continuariam a defender apaixonadamente o veto pessoal a eutanásia, mas a antítese de tudo aquilo em que acreditavam havia sido apresentada com maestria.
Na tentativa de apaziguar as almas presentes, certamente angustiadas, Rabinovich lembrou que ninguém gosta de falar da própria morte. A idéia de termos controle sobre o desfecho dessa história, quando é possível intervir, nos devolveria a paz interior e faria com que fizéssemos as pazes com a idéia de sermos mortais.

O gesto derradeiro do palestrante foi projetar o último slide de sua apresentação de power point, onde estava escrito que a mesma era dedicada a seu filho de quinze anos, que morrera precocemente, e que pôde, dentro de suas possibilidades, optar por uma morte digna, já que não havia recurso na medicina que pudesse dar jeito em sua enfermidade. Uma última frase foi dita, e ela deve está reverberando até agora para quem teve, assim como eu, o privilégio de ver a palestra: “O Direito deve servir para se obter a felicidade, do contrário não serve pra nada”. A platéia, seduzida e vencida, aplaudiu durante mais de um minuto.

Poema Ligeiro:

Ah, Quem Me Dera
Ah, quem me dera ser poeta
Pra cantar em seu louvor
Belas canções, lindos poemas
Doces frases de amor

Tom Jobim

Citação oportuna:
"É verdade que existem vários idiotas no congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados"- Hubert Humphrey, vice presidente americano no governo Johnson

Filtro: Como diferenciar a Bahia de João Gilberto da Bahia do Chiclete com Banana, segundo esse escrevinhador de pitacos
Filme: 12 homens e uma sentença- Básico
Música do dia: Poucas coisas no mundo são mais emocionantes do que algumas canções de Leonard Cohen
Livro: Estou louco para ler Herman Hesse. Já está na fila.
Net: Um blog cheio de ternura e inteligência:
Outras Bossas: O "Rockcast" é um programa formatado para a internet que eu bolei e que está, como diria Marcelo Tás, "tchuc thuc". Nesta semana teremos a segunda edição com o melhor do rock. Fique atento e atenta.
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9:51 PM

Mensagens de amor e ódio: Sexta-feira, Maio 15, 2009  
Tio Bira e seus oitenta anos

“Saudade, um lenço roxo lá distante, na curva do caminho, a tremular. Um riso amargo, um peito soluçante, um olhar triste em busca de um outro olhar”. Era com poesia que começava os programas românticos comandados pelo radialista Ubirajara Toledo na rádio Sociedade ZYD-7. O popular Tio Bira comandou programas como “Clube do Tio Bira” e “Pingos de saudade”, além do vigoroso e combativo “Tribunal da opinião pública”.
Ubirajara Ferreira de Toledo, que conheci pessoalmente quando fiz o trabalho experimental da faculdade de Jornalismo há quatro anos, nasceu em Juiz de Fora no dia dois de setembro de 1929. Começou na imprensa em 1949, na rádio Tiradentes e trabalhou também em jornais impressos dos Diários Associados e na TV Industrial. Paralelo a seu trabalho na imprensa, Ubirajara era funcionário público federal. E foi nestas condições que ele foi transferido para Montes Claros. Atendendo a um convite de João Teixeira Bastos, ingressou no quadro de locutores da rádio ZYD-7 em 1962.

Ainda nos tempos de Juiz de Fora, discursou para Assis Chateaubriand, o jornalista mais influente da história do Brasil. Foi secretário fundador da AMAMS, Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, e liderou diversas campanhas sociais. Teve seu trabalho reconhecido pela Câmara Municipal de Vereadores, que em 1980 concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário de Montes Claros. Em 2003, o ex-radialista voltou a ser laureado com um título de Cidadão Benemérito, oferecido, outra vez, pelos vereadores, em nome do povo de Montes Claros.

Esse texto, escrito por um mero aprendiz de radialista, se propõe a homenagear o grande Tio Bira e lembrar que no próximo mês de setembro ele completa oitenta anos. Acredito que seja uma efeméride das mais justas. Tomara que o atual prefeito, que foi radialista, preste uma nova e merecida homenagem em nome do povo de Montes Claros, a esse comunicador que tanto contribuiu para nossa cidade e para o rádio mineiro.
Contrariando a máxima de Nelson Rodrigues, que afirmava que toda unanimidade é burra, Tio Bira se locomove faceiro por aí, acarinhado e admirado por seus pares e pelo público, que um dia teve a honra de tê-lo por perto, através de sua voz, emanada nas ondas médias e um tanto roufenhas da ZYD-7.

Lembro-me de ter lido no site www.montesclaros.com que Tio Bira pretendia se mudar para sua terra natal, Juiz de Fora, depois de tantas décadas em Montes Claros. Não sei de seu atual paradeiro, se ele está na terra de Itamar ou aqui na terra de Mestre Zanza, mas certamente estará sempre em um local onde a melancolia e a solidão não podem entrar: os nossos corações.

Poema ligeiro:
Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.

Mário Quintana

Como separar o joio do trigo, mesmo sem ter visto um joio na vida, segundo este humilde escriba:

Filme: Anjos e demônios- Deixe os dogmas de lado e divirta-se, sem culpa.
Música: Rockcast 001- Baixe agora essa novidade
Livro: "O pirotécnico Zacarias"- de Murilo Rubião
Na Net: Jovens promissores interpretando o mundo do nosso jeito. Clique aqui e se atualize:
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4:10 PM

Mensagens de amor e ódio: Terça-feira, Maio 05, 2009  
Crônica de um nome incomum

Tem uma crônica ótima do meu amigo e padrinho de casamento Itamaury Telles que versa sobre as agruras de se ter um nome incomum. Itamaury cita, em seu estilo inconfundível, que chegavam a confundir seu prenome com "Itamaraty". Claro que de uns tempos para cá Itamaury se tornou muito famoso em Montes Claros e ninguém mais deve incorrer nesta gafe.
Nos meus tempos de segundo grau em Porteirinha, eu tive um colega chamado Aneures. Outro nome bastante incomum, como podem observar. Quantos Itamaurys ou Aneures você conhece? Provavelmente os mesmos que eu. Apenas estes.

Acredito que, de certa forma, o meu nome também se localize nesse panteão de originalidade. E essa é uma das vantagens de se ter um nome singular.
Claro que tem também suas desvantagens, e uma delas foi citada por Itamaury: a impossibilidade de se debitar a algum homônimo nossos erros de percursos. E isso se dá pela quase total ausência de homônimos.

Eu conheço somente outro Délio aqui em Montes Claros, e ele é frentista de um posto de gasolina nas proximidades da prefeitura. O outro Délio que conheço é um ex-vereador de Porteirinha. E tem um vereador de Belo Horizonte chamado Délio Malheiros e um advogado ilustre que tinha o esquisito nome de Délio Jardim de Matos. E só.
Nenhum personagem de novela e nenhum jogador de futebol foi batizado com esse nome.

Um total descaso com os Délios espalhados por esse país. Inclusive, conclamo os Délios de Montes Claros e da região para se manifestarem depois de lerem essa crônica.
Vamos ver se dá pra encher pelo menos uma van com os xarás que tem a honra de carregar esse nome, que designa os moradores da ilha grega de Delos.
Eu tenho muito orgulho de meu nome. É uma homenagem ao meu avô que eu sequer tive o prazer de conhecer. Apesar desse orgulho, eu sei que se trata, talvez, do nome mais fácil de se confundir no Brasil.
Meu nome é Délio. “Alguém aí disse Hélio, ou Célio, ou Nélio?”. A verdade é que quase todos os dias eu preciso dizer: “É Délio, com d de dado”.

O espantoso é que já chegaram a confundir com Pélio. Você por acaso conhece algum Pélio, ou Zélio por aí? Se bem que o irmão do Ziraldo tem esse nome...
Alguns dias atrás eu pedi um churrasco no delivery de um restaurante e quando chegou a entrega e vi lá na notinha o meu nome corrompido, “Bélio”, eu imaginei que essa versão até que tinha algum significado, pois fiquei mesmo com vontade de pegar um arsenal bélico e dar cabo de quem escreveu aquela atrocidade.

Quando comecei no rádio e poucos me conheciam em Montes Claros, foi uma verdadeira prova de paciência. Quando os ouvintes ligavam pra rádio 98 FM e perguntavam quem estava falando e eu respondia que era Délio, o ouvinte, invariavelmente, sempre confundia “Célio, Nélio?”. “Não, Délio, com d de doido”.
Lembro-me de ter ficado tão chateado com esse negócio que, já no final do programa, quando o telefone tocou pela centésima vez e a ouvinte perguntou quem estava falando, eu disse: “É o Hélio”. Do outro lado da linha a ouvinte perguntou: “Délio?”.

Citação oportuna: “O falador diz tudo o que sabe. O desajuizado diz apenas o que não sabe. Os jovens, o que eles fazem. Os velhos, o que eles fizeram. E os tolos, o que pretendem fazer”- Pernard

Poema ligeiro:
“Délio Pinheiro
Délio
Pinheiro
Pélio
Dinheiro
Pélio Dinheiro”

Como distinguir entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes na concepção crítica deste que vos tecla:

Filme: Meu nome não é Johnny - Um excelente filme nacional
Música: Ouça o novo álbum de Mariana Aydar. É samba fino à beça.
Livro: Leite derramado- Chico Buarque
Na Net: Fui entrevistado pelo blog da Sociedade Mutuante. Uma honra que divido com vocês:
Outras Bossas: Por falar em cinema nacional, é curioso observar o quanto o filme “Cazuza” fez mal para a memória do roqueiro vitimado pela aids. Pelo menos entre as pessoas mais caretas. Não que o filme seja ruim. O problema é que o filme não economizou nas cores e mostra um jovem perdido e inconseqüente, relegando para segundo plano o artista original e ótimo letrista que ele foi. Esse mesmo erro acometeu o Jim Morrison, do filme de Oliver Stone. É uma injustiça com o Cazuza, que deixou uma obra coesa e excelentes letras. Agora só não me venha com a expressão “poeta” para designar o “cara”, porque aí é um pouco demais.
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10:13 AM

 
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