Novo blog do Jornalista, radialista e acadêmico de Direito, Délio Pinheiro
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Da vida não peço tanto assim, meus sonhos são tão banais, liberdade é o que peço, um pouco de amor, respeito e nada mais.
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Domingo, Março 29, 2009
Emoção da descoberta
O jornalismo tem me proporcionado grandes momentos profissionais nos últimos anos. O trabalho como assessor de imprensa e mestre de cerimônias fez com que eu apresentasse os pronunciamentos de importantes políticos e outras autoridades, civis e militares. Entre eles o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e o vice-presidente da República, José Alencar. Este último com um detalhe importante. Quando o apresentei, na condução do cerimonial do sesquicentenário de Montes Claros, ele era o presidente da república em exercício.
Tornar-se presidente em exercício do Brasil sendo vice do Lula não é muito difícil de se conseguir, apresso-me em mencionar, uma vez que temos um presidente que adora viajar para outras nações, sobretudo àquelas de presidentes brancos e de olhos azuis.
Ministros, deputados, senadores, secretários estaduais e outros de igual quilate estão nesta lista extensa. Mas nesta semana tive uma satisfação diferente em um destes eventos, motivada pelo fato de ter escolhido o Direito como meu novo curso superior, e ao qual tenho dedicado meus esforços intelectuais.
A minha amiga e “chefe” Rosangela Silveira me informou, com seu jeito sem rodeios, que tinha um “evento de juízes no fórum” e que era para eu apresentar. Sendo um convite de Rosa, topei na hora, claro.
Só depois fui saber que se tratava de uma reunião da prestigiada Amagis, a Associação dos Magistrados Mineiros, que está completando cinquenta e cinco anos de serviços prestados à justiça brasileira. Na composição da mesa de honra e na platéia teríamos juízes, desembargadores e alguns advogados. Um seleto grupo de nossa justiça mineira. E eu lá, aboletado no parlatório, na condição de mestre de cerimônia, dando conta dessa responsabilidade toda.
Confesso que, quando percebi que eu era um mero estudante do segundo período de Direito em meio a tantas feras, senti um friozinho na alma. Mas me recompus quando me dei conta que minha porção “jornalista profissional” estava pronta para tornar este trabalho mais um numa lista de cerimônias relevantes e inesquecíveis. E foi de fato, mas não sem um pouco de emoção.
A Amagis tomou emprestado o nome de um grande juiz mineiro, hoje desembargador, para alcunhar a seccional do órgão em Montes Claros. E o escolhido foi Tibagy Salles de Oliveira, um personagem jurídico descrito por seus pares como “ícone da justiça”, “fogueira do saber jurídico” e “um dos últimos grandes guerreiros da justiça”. A metáfora da fogueira foi usada depois que a idéia de “chama do saber” pareceu insuficiente para falar desse homem notável, que há quase trinta anos trabalhou na comarca de Montes Claros. Quando aqui esteve os processos de sua vara se acumulavam aos milhares e em pouco tempo ele conseguiu diminuir sensivelmente este número, à base de muito trabalho e disciplina. Portanto uma homenagem das mais justas.
Coube a outro desembargador, o notório José Nepomuceno Silva, o papel de orador oficial da cerimônia. E esta incumbência foi concluída brilhantemente com a fala que, em certa medida, poderia ser de um Ruy Barbosa ou de um Cícero, mas que pertenciam a um senhor de setenta e muitos anos. E este brilhante orador vivia naquele momento uma situação particularmente delicada que, ao final da solenidade, revelou-se emblemática acerca de sua grandeza.
Mas antes disso, outro fato chamou minha atenção. Coube a um dos diretores regionais da Amagis, o juiz Laílson Braga Baeta Neves, que atua em Montes Claros, ler uma mensagem para o homenageado.
O magistrado, tão sisudo em seu cotidiano, deu lugar a um garoto que se lembrou do dia em que entrou pela primeira vez em um tribunal e viu o juiz Tibagy trabalhar. A atenção dispensada pelo experiente juiz ao então jovem estudante foi decisiva para definir o futuro do menino Laílson que, ao rememorar tais fatos, desfez-se em lágrimas sinceras, que contrastavam com seu rosto rijo e compenetrado. Outros juízes também se emocionaram, talvez por perceberem semelhanças com a história de cada um.
O homenageado, ao final de sua fala, se viu surpreso por não ter chorado naquela noite enquanto desfazia os nós antigos de sua memória, ao se recordar de pessoas e fatos que fizeram sua história até aquele momento, em que seus pares prestavam-lhe tributo.
Quando o presidente da Amagis fez uso da palavra, um fato interessante veio à tona. O juiz Nelson Missias de Morais parabenizou o homenageado e lembrou que, além de Tibagy, estava na mesa de honra outro “ícone da justiça brasileira”, o desembargador José Nepomuceno. Este, segundo Missias, no dia anterior, havia travado mais uma luta contra uma doença devastadora que, em sua impessoalidade, iguala juízes e lavradores diante de sua crueldade, o câncer.
E nem mesmo uma sessão de quimioterapia tirara dele o raciocínio arguto e o desejo de homenagear um “irmão e companheiro de pescarias”, revelando mais uma característica de Tibagy.
Quando a cerimônia terminou e minha porção jornalista saiu de cena, eu assumi a minha postura de estudante diante de tantos mestres e pedi, de maneira uma tanto acanhada, para tirar uma foto ao lado da iminente figura do desembargador homenageado. Ele, de imediato, se postou do meu lado e ficamos ombreados, com nossos paletós coincidentemente claros, deixando bastante tênue, pelo menos naquele ínfimo instante do flash, o imenso abismo que nos separa.
E seu lado acessível, tantas vezes mencionado nos discursos, assomou com um oferecimento sincero e espontâneo, que me encheu de alegria: “Escuta rapaz, se você quiser posso te mandar minha autobiografia. De repente você gosta. Ainda tenho alguns exemplares. Você quer?” - perguntou Tibagy.
Claro que quero mestre, e quero mais, quero que todos os meus colegas de curso de Direito consigam fazer carreiras consolidadas na ética e na transparência, quero que a justiça brasileira dê conta dos assombrosos 67 milhões de processos que emperram as varas criminais e cíveis, em todas as instâncias, e quero ser como o senhor. Juiz? Desembargador? Talvez, se assim se encaminharem os desígnios de Deus.
Refiro, sobretudo, a seu caráter e a seu jeito simples, que um dia, no caótico fórum Lafayette em Belo Horizonte, inspirou o garoto Laílson a se tornar magistrado e que teve também a força de atingir-me feito um aríete, abrindo paredes espessas, onde se escondiam objetivos que eu sequer supunha que existissem, e que agora terão a força de conduzir-me na longa e acidentada caminhada do Direito.
Desconfio que seu exemplo Tibagy, continuará inspirando outros tantos jovens, ad eternum.
E quero mais. Quero que o bravo Nepomuceno vença essa batalha e que vocês dois possam curtir suas aposentadorias em meio à gratidão dos amigos, o respeito das famílias e cercados por peixes e mais peixes, graúdos e encantados.
O aprendiz e o mestre
Poema ligeiro:
Almas em geral Gerais...
O vento, tão incerto e poderoso
Rompe as distâncias desde o Gerais
E burila as sempre-vivas espalhafatoso
Espalhando vida a homens e animais.
O arquejante burrinho, tão pedrês, resfolega
No caminho pétreo, sem olhar para trás
Com suas gomas e bebidas para adegas
Vindas do lado de lá, dos canaviais.
Sua travessia até o comércio é uma epopéia
Quando o vento assobia no tronco da madeira
Em seu dorso o geraizeiro tem uma idéia
“Que bom seria se não existissem tantas ladeiras”.
Mas elas existem, feito assombrações, aqui e acolá
E os barrigudinhos famintos esperam no pé da ladeira
Que virem balas sortidas os negócios do pai em Jatobá
E que lhes traga roupas para a festa da padroeira.
Citação oportuna: "Os problema financeiros foram criados por gente branca e de olhos azuis"- A análise aprofundada de Lula diante da crise.
Filtro: Como diferenciar astronomia de astrologia segundo a ótica sui generis deste que vos escreve
Filme: Gran Torino
Música: Conheça o Porcas Borboletas, de Uberlândia
Livro: Grande Sertão: Veredas, do Rosa
Net: A Hora do Planeta é uma tentativa de abrir os olhos da humanidade para um assunto sério e inadiável. Assista e reflita
Outras Bossas: O blog tem experimentado uma mistura inédita de ficção e realidade nos últimos posts. Pretendo insistir com esse formato, mas sem descartar as dicas e sugestões que tem surgido aos montes. Continue comentando. Esse é o aditivo para meu cérebro continuar atento.
12:40 PM
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Quinta-feira, Março 19, 2009
Pitacos, pílulas e pixels:
O mundo moderno requer, muitas vezes, uma análise rápida, porém substanciosa, dos fatos. É isso que essa coluna digital se propõe a mostrar. Sua presença neste blog será sazonal e conto com seu comentário para avançarmos com as discussões aqui aventadas.
Protojuiz- Em abril tem Protógenes Queiroz na “TV Justiça”. O homem deve abalar a república com suas declarações bombásticas. Ele acaba de dizer, em uma palestra em Alagoas, que o MST fez muito bem ao invadir a fazenda do Daniel Dantas, e que esse é o destino de terras de "banqueiro bandido". O delegado disse, noutra ocasião, que gostaria de ser o carcereiro da prisão onde Dantas deveria passar o resto de seus dias. Pensando bem, se fossem abertas vagas para tal função teríamos milhares de candidatos. Quiçá milhões.
Sugestão: Em maio a Faculdade Santo Agostinho de Montes Claros promove seu Congresso Nacional de Direito e o Congresso Internacional de Direitos Humanos. Gostaria de sugerir aos organizadores que tentem trazer a bola da vez da justiça brasileira, o delegado Protógenes, que nesta semana foi indiciado pela PF pela suposta farra de grampos denunciada pela Veja. Ele costuma polemizar em suas palestras e seria o chamariz ideal para se promover os congressos.
Súmula Dantas: A Súmula Vinculante número 11 foi criada com o intuito de preservar os acusados presos em flagrante da humilhação de aparecem nos jornais impressos e na TV com algemas. Esse fato foi responsável indiretamente para o suicídio acontecido no hospital Alfeu de Quadros, em Montes Claros, na última semana. O suicida tomou a arma do policial que o acompanhava e, depois de atirar a esmo, atirou em si mesmo. A presença das algemas impediria esse ato desesperado.
CQC- Entrou para os anais da TV brasileira a perseguição do CQC, ótimo programa de humor da Band, ao deputado Edmar Moreira, aquele mesmo do castelo no interior de Minas Gerais, nos corredores da Câmara. As perguntas capciosas do humorista foram solenemente ignoradas pelo nobre deputado, mas o momento foi impagável. No mesmo dia o programa tentou vender o tal castelo ao Príncipe Charles, que esteve visitando o Brasil. Nota dez para os pauteiros deste programa, que alegra as noites de segunda-feira.
A volta do careca- Um fato que me deixou comovido na semana passada foi a declaração de Marcos Valério de que teria apanhado muito no presídio de segurança máxima para o qual fora mandado por uns três meses. Valério é aquele sujeito de Curvelo, que ficou conhecido no "Mensalão" como o administrador do estratagema urdido ainda nos tempos do FHC e potencializado pelos "aloprados" do PT. Se por um lado a sova serviu para arrancar de sua cara lavada o risinho irônico que desmoralizou as CPIs por onde passou, por outro levanta uma questão séria: tem muita gente de rabo preso com o cara.
Pensamento típico da Veja- Eu pensei em escrever que tem também "gente com a língua presa", mas é melhor deixar pra lá. Foi um típico pensamento “burguês-direitista-neoliberal” do qual me arrependo profundamente.
Apelido do Marcos Valério- Jornalista vive de furo e eu gostaria de lembrar o apelido de infância de Marcos Valério em Curvelo. Ele fazia pequenos negócios por lá, e meu sogro, que é da vizinha Inimutaba, o conhece desta época. Marcos Valério era conhecido como "Flechinha". Um apelido que mostrava o quanto ele era célere e audaz em seus pequenos trambiques. Informações valiosas assim você só fica sabendo aqui, neste vosso humilde blog.
Quase quatro meses e nada- Não abordarei apenas a política, a imprensa e a justiça em níveis nacionais nesta estreia da coluna digital que vai escarafunchar a vida na “reles pública”. É preciso lançar luzes também nos péssimos primeiros meses da administração de Tadeu Leite em Montes Claros. O incrível aumento dos cargos de confiança e a criação desnecessária de novas secretarias deixam claro que os compromissos de campanha podem pôr a perder uma administração que surgiu com a proposta de "arrumar" a cidade, mas que até agora não resiste a uma comparação séria com a gestão anterior, suplantada pelo populismo do atual prefeito. Se antes tínhamos apenas a figura do secretário como catalisador do maior salário em cada secretaria, agora temos em cada uma delas um secretário adjunto e um assessor político, todos com salários altíssimos, além do próprio secretário.
Uma imagem emblemática:
Sinceridade rara- De uma hora para outra descobri o meu mais novo herói na política nacional. E ele atende pelo nome de Jarbas Vasconcelos. Até então ele grassava no mundão da política brasileira como apenas mais um, pelo menos pra mim, que até então não o diferenciara dos ignóbeis políticos de colarinho branco. Mas ao escancarar a “caixa de pandora” do PMDB ele fez um favor para sua própria biografia e para o Brasil. Mostrou o quanto é sincero e quanto o citado partido parece ter se perdido no tempo.
Sean de fora- Esse caso do menino Sean, que é motivo de disputa entre o pai americano e a família da mãe brasileira, parece-me um completo disparate. Não há nada que me convença, enquanto cidadão, que a guarda deva permanecer com o padrasto brasileiro depois que a mãe do garoto faleceu. É claro que do ponto de vista jurídico a história tem nuances mais complexas, mas o senso comum não admite a possibilidade do pai biológico ser preterido em um caso assim. A passeata que aconteceu no Rio de Janeiro neste fim de semana afirmou que o Sean é de dentro, mas o Sean é de fora.
A Cesare o que é de Cesare- Outro clássico jurídico está sendo disputado pelo Brasil. Desta vez contra a Itália. Estamos prestes a conhecer o destino de Cesare Batistti. O Brasil resolveu acolhê-lo mesmo com os crimes de assassinato que lhe são imputados. E olha que são quatro. Ele já foi condenado no país da bota, que o julgou à revelia, e uma prisão perpétua o aguarda por lá caso o STF julgue que é a vez do Brasil dar-lhe uma botinada nos fundilhos. Acredito que o ex-guerrilheiro italiano deva permanecer por aqui. Fomos muito longe em nossa posição para fraquejar agora.
Reforço de peso- A Itália demonstrou interesse em escalar o zagueiro Materazzi para xingar a mãe dos ministros do STF quando a coisa “pegar” de verdade. Uma cabeçada de nossos juristas poderá por a perder tudo que o que conseguimos até agora. Ou você pensa que deixar irritado o Berlusconi é pouca coisa?
Para Refletir: Escute essa gravação primorosa do artista Paulo Varella sobre a política brasileira. Com sua sinceridade, essa mensagem suplanta centenas de artigos políticos de sociólogos que tentaram decifrar porque os demagogos ainda têm vez em nossa democracia.
Baixe aqui:
11:43 PM
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Segunda-feira, Março 16, 2009
O poeta João e a avenida movimentada
O poeta chinfrim olha através das persianas marrons do apartamento. Seus olhos observam a avenida furiosa, entrecortada por carros velozes e caminhões pesados. Seus olhos também estão pesados depois de uma noite às claras, escrevendo haicais amadores. O nome do poeta é João, e João é como seus haicais, amador.
Com as primeiras horas da manhã primaveril, ele se deu conta que não podia ter deixado sua namorada sair no meio da noite, como ela fizera, sutil feito uma assombração, depois de trancar seu coração de moça direita com cadeados espessos, forjados com o amor ferido e o desapontamento.
João, naquela noite furiosa, antes dos fatos já descritos, escutou-a perguntar qual chá ele preferia: verde ou de camomila. O poeta raso optou pela segunda opção somente por que este lembrava o nome de sua namorada.
Depois eles se amaram vorazmente sobre o sofá amarelado daquele apartamento na avenida movimentada.
E foi ainda na brisa fria da madrugada que Camila se foi, destruída por evidências loquazes das canalhices de João. Ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite. Uma carta endereçada a uma certa Isabel, com declarações de amor e recortes de poesia barata, jogou Camila na contramão da avenida movimentada, a mesma que agora João esquadrinha em busca de um sorriso ou de um perdão, coisas intangíveis para ele.
Mas o que ele vê são os caminhões pesados e os carros velozes que parecem debochar de seus olhos tristes e de seus haicais amadores, feitos para Camila, naquela noite em que ele percebeu que a amava perdidamente, assim como amava o chá de camomila frio, que sorvia entre soluços sinceros.
Poema ligeiro:
Pinçei para este blog um poema do Alisson Villa, descoberto por Daiane em seu Mil ternurinhas, blog que merece uma visita mais demorada
Má influência
Quando dei pinga ao telefone, ele embolou a fala dos amantes até terminarem o namoro.
Quando dei pinga à xícara, ela tentou voar com sua única asa e terminou em caquinhos.
Quando dei pinga ao sol, ele adormeceu sobre uma nuvem atrapalhando a passagem da noite.
Quando dei pinga ao dado, ele cambaleou incerto sobre que número oferecer.
Quando dei pinga ao jornalista, ele escreveu um poema sobre a alta dos juros.
Quando dei pinga ao texto, suas letras ficaram em itálico.
Quando dei pinga à bailarina clássica, todos assistiram uma apresentação contemporânea.
Quando dei pinga ao maestro, a orquestra afrouxou o smoking e tocou um samba.
Quando dei pinga ao camaleão, ele trajou um arco-íris.
Quando dei pinga ao pente, ele sorriu seus dentes.
Quando dei pinga à estrada, ela insinuou-se para todos.
Quando dei pinga à pilha, em meia hora ela gastou sua energia.
Quando dei pinga ao cabide, ele despiu-se da blusa para realçar o balançar de seus ombros.
Quando dei pinga ao guarda-chuva, ele perdeu até os pingos mais gordos.
Quando dei pinga ao criado mudo, ele desinibiu-se puxando muita conversa.
Quando dei pinga ao mineiro, a cachaça sentiu-se uma verdadeira água mineral.
Citação oportuna: "Eu acho que não dá nada nem tem nada demais. Não tem nenhum estudo comprovando os benefícios ou problemas. Na dúvida, pode ser passivo"- Ronaldo, sobre fazer sexo antes das partidas no programa do Serginho Groisman. Teria sido um ato falho?
Filtro: Maneiras para se aguentar tantas loas televisivas ao "fenômeno" e afugentar a mesmice nas horas de ócio, segundo este escriba
Filme: O belo "Bella"
Música: O novo disco de Nando Reis, que contará com 12 inéditas e um dueto com Ana Canãs
Livro: "O código da vida", de Saulo Ramos
Net: Excelente site para fazer montagens
Outras Bossas: Essa montagem aqui eu fiz usando o site aí de cima. Aprecie com moderação.
12:42 AM
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Quarta-feira, Março 04, 2009
Da série: Poesia em tempos de crise mundial?
Pessoas entardecidas
Foi-se o tempo que o tempo era abundante
como a água dos oceanos
e as estrelas do infinito.
Vivia-se num transe lúdico,
brincando de lego e ludo.
As caras tinham a pele de pêssego
e alma leve, feito colibris.
Os domingos eram longos,
com guaraná e sermões.
E vivia-se intensamente
como se o amanhã fosse algo impreciso.
Mesmo as segundas tinham lá seus encantos,
as partidas de futebol, os namorinhos, o pôr do sol.
Mas a vida, num triste dia, resolveu andar
e agora corre loucamente.
E eu, no fim de cada dia, me sinto mais entardecido.
Enquanto crianças barulhentas
exercitam sua felicidade eterna.
7:46 PM
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