Novo blog do Jornalista, radialista e acadêmico de Direito, Délio Pinheiro
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Da vida não peço tanto assim, meus sonhos são tão banais, liberdade é o que peço, um pouco de amor, respeito e nada mais.
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Mensagens de amor e ódio:
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
O cerco se fecha
Conheço uma frase interessante, mas desconheço seu autor. A frase vaticina que “nenhum adulto tem o direito de criar filhos sem antes cercá-los de livros”. Sempre gostei desta frase e cheguei a usá-la em ocasiões em que fui convidado a falar sobre o prazer da leitura e a importância da literatura na vida das pessoas. Mas hoje, durante uma aula de Sociologia do Direito, precisei revê-la. A contragosto, é verdade. Um adulto não pode criar um filho sem antes cercá-lo de muitas outras coisas, algumas mais essenciais do que os livros. Remédios e alimentos vêm em primeiro lugar neste ranking, que ainda tem outros itens antes de chegar aos famigerados livros.
É uma pena que seja assim, mas o Brasil e outros países em desenvolvimento precisa lidar com pessoas cujo único objetivo é sobreviver, e essa luta é travada todos os dias, nas franjas das metrópoles e nos rincões profundos do país.
E a arte de sobreviver para essa brava gente brasileira, e indiana, chinesa e outras, independe de manuais, como os que abundam na classe média com o rótulo de auto-ajuda. O que importa, neste particular, são os nutrientes e os fármacos, e estes não podem faltar nas casas de milhões de terráqueos.
“País em desenvolvimento” é um eufemismo criado para referir-se a nações com graves abismos sociais, mas com algum pendor para ascender nos índices de qualidade de vida, nem que seja num futuro abstrato, e isso inclui certamente os países “Bric”, sigla que abriga Brasil, Rússia, Índia e China.
Estes países serão importantes, graças a seus mercados aquecidos e auto-sustentáveis, no esforço planetário para se evitar que a vaca vá para o brejo com a crise mundial. Se bem que essa metáfora bovina não fica bem para os indianos, aonde a vaca vai para onde quiser sem ser importunada.
Esses países carregam semelhanças quanto ao abismo que separa ricos e pobres e quanto ao tamanho de seus mercados consumidores.
Mas o Brasil leva uma série de vantagens em relação a seus companheiros “bric bracs”. O “Bolsa Família” é coisa nossa. Nenhum outro país conta com um programa de divisão de renda como esse, onde o governo não exige quase nada em troca. É praticamente um ato de caridade, para não usar o termo “esmola”, que ficaria deselegante. Mas quem sou eu para criticar um programa desses, sabendo que milhões de pessoas sobrevivem apenas com a caridade institucional do governo Lula.
Esse dado é interessante, vejam vocês, pois assim chegamos à constatação surpreendente que o salário mínimo é alto neste país de contrastes que é o Brasil. Veja bem: se um cidadão consegue sustentar a si próprio e a sua prole com o “Bolsa Família”, imagine o dia em que ele angariar, com seu suor, um salário mínimo? Seria a glória. Ele fatalmente compraria remédios na farmácia popular, uma cesta básica no supermercado, roupas em algum magazine popular e, finalmente, um objeto que certamente lhe trará a cultura que tão ansiada por ele e por seus filhos. Um livro? Não, uma antena parabólica.
Poema ligeiro:
Palhaço arruinado
A piada do palhaço triste
ecoa sob a lona imunda do circo.
O riso das crianças tristes
se mistura ao cheiro de mofo.
Os pais, promovidos a crianças, tristes,
compram quebra-queixo com asas de barata.
A cidade inteira assiste
ao monólogo do palhaço arruinado.
Citação oportuna: “Os medíocres lêem os menos medíocres, mas ainda assim, medíocres! Mas os intelectuais lêem os mais intelectuais ainda, e intelectualizam-se” – Frase da poeta Cyntia Pinheiro, formosa mãe e fabulosa musicista.
Filtro: Como separar o Coringa de Heath Ledger do Batman de Michael Keaton na humilde, porém embasada, opinião deste escrevedor
Filme: Quem quer ser um milionário?- Ganhadores do Oscar passam a ser, automaticamente filmes imperdíveis.
Música: O novo disco de Bruce Springsteen é ótimo: Working on a dream
Livro: 1001 filmes para ver antes de morrer
Net: Conheça o site da melhor revista do Brasil
Outras Bossas: Muito boa a repercussão da volta do blog. Diversos comentários interessantes. Começamos bem. E já que é hora de retornos, em breve teremos mais um podcast, com o tema "Músicas Nordestinas". Aguarde o próximo post. Ah, e feliz ano novo. Afinal de contas terminou o carnaval...
11:27 PM
Mensagens de amor e ódio:
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
Jornalismo gonzo - Diário da viagem ao Nordeste
18 de janeiro - O início da aventura
Saímos de Montes Claros por volta das 18h20 de domingo, 18 de janeiro. Começamos mal porque o horário previsto para o início dessa verdadeira odisséia era 17h. Mas seguimos em frente, com cinqüenta e duas pessoas a bordo de um ônibus imponente de dois andares. Imponente sim, mas velho.
Antes de embarcarmos ficamos conhecendo o tio da namorada do irmão de minha esposa. E pude verificar que um colega de rádio, o Jean da Transamérica, também embarcou conosco. Além disso, tem Daiane, que é uma grande amiga nossa, e que também fará esse “cruzeiro rodoviário” através do nordeste.
Eu, Camila e nossa amiga Daiane na hora do embarque
Os motoristas se apresentaram antes da partida. Um deles ganhou minha simpatia de cara. O Almir. É o mesmo nome de meu pai, e se esse xará tiver uns 10% das qualidades de meu velho, certamente estaremos em ótimas mãos.
A nossa torcida, minha e de Camila, é que o ônibus seja confiável o suficiente para percorrermos oito estados do Brasil em quinze dias. É esse nosso desafio a partir de agora quando já sentimos o seu balançar impreciso nas estradas pouco conservadas de Minas Gerais. Mas, além das poucas pessoas que conhecemos, e que embarcaram conosco, é de se presumir que boas companhias surjam à medida que formos conhecendo os demais personagens desta aventura.
Ainda em Montes Claros a voz anasalada de nossa guia informou superficialmente sobre o trajeto que faremos e que a hora prevista para chegarmos em Recife é um pouco além do que imaginávamos quando compramos o pacote.
Uma viagem de umas vinte e seis horas aproximadamente nos aguarda. Serão quase sete mil quilômetros percorridos ao final destas duas semanas. Quem já fez esse trajeto costuma dizer que o esforço vale a pena diante das belas praias e paisagens que encontraremos.
Ponto positivo: Não teremos pagodeiros no fundo do ônibus ao longo da viagem. Um pessoal mais velho e de bom poder aquisitivo parece ser a maioria.
Ponto negativo: Receio que a idade avançada de alguns passageiros possa atrapalhar, de alguma maneira, o bom andamento da viagem. Tomara que sejam animados e prefiram praias a compras, por exemplo.
Logo depois que saímos começou a ser exibido no ônibus um filme fraco com o ator Cuba Gooding Jr. Os tiros e a violência da película não combinaram com o clima de paz que uma oração puxada pela guia turística estabeleceu no recinto móvel. Eu e Camila optamos pelo drama familiar “A lula e a baleia”, que vimos em nosso lap top.
A primeira parada foi em Salinas, capital mundial da cachaça. Tomei um gole de uma autodenominada cachaça light, que estava sendo servida por uma moça simpática no posto de combustível escolhido para abrigar nossa excursão. Optamos por não jantar, porque estávamos levando diversos sanduíches e outras bobagens em meio a nossa bagagem de mão. Depois do jantar o ônibus percorreu um bom trecho e um cochilo foi inevitável.
19 de janeiro - Umbaubar-nos?
De madrugada, por volta das 2h20, apareceu um problema mecânico no ônibus. Ficamos parados por quase duas horas na cidade baiana de Vitória da Conquista para os motoristas tentarem arrumar as coisas. A viagem ficou bastante atrasada.
O nosso café da manhã foi na cidade de Milagres, no estado de Dorival Caymmi. Encontramos lá o caos típico dos grotões do país.
Cascas de banana eram arremessadas sem nenhuma cerimônia pelas janelas dos outros ônibus. O alarido e a má educação se juntavam ao som de músicas péssimas que eram tocadas nas ruas e, como se não bastasse, o leite que nos foi servido estava frio e azedo. Uma porcaria. Pelo menos as gigantescas pedras que emolduram a paisagem da cidade se salvaram.
Bela paisagen da viagem, em Milagres, Bahia
Percorremos um longo trecho até a divisa da inacabável Bahia com Sergipe. Paramos numa cidade chamada Umbaúba para almoçar. Neste local perdido de Sergipe aconteceu uma situação curiosa com Daiane. Um anúncio de uma festa na cidade trazia a inscrição “UMBAÚBA-SE”. Daiane, que é professora de português, imaginou que se tratasse de algum verbo desconhecido e coube a Camila informá-la que aquele era o nome da cidade acompanhado das iniciais do estado.
“Como assim umbaubar-me?” - Foi essa a pergunta que nossa amiga formulou.
Na parada para o almoço uma carreta e um automóvel quase se chocaram com nosso ônibus no momento em que o motorista contornava a movimentada BR em direção ao acanhado restaurante de beira de estrada. Foi por um triz.
Depois do almoço a programação do DVD continuou fraca. Foi exibido um show de um comediante cearense, e algumas senhoras reclamaram, à boca pequena, das piadas sujas do sujeito chamado Pudim. Depois foi a vez de César Menotti e Fabiano entrarem em cena. Neste instante não tínhamos mais bateria no lap top e o jeito foi recorrer ao mp3 player, que nos ofereceu um pouco de música boa, enquanto os dois irmãos mineiros se esgoelavam nos monitores de catorze polegadas do ônibus.
As imagens foram se sucedendo nas janelas, à medida que avançávamos através de Sergipe. A pobreza e a seca eram vistosas, quase palpáveis.
Casinhas minúsculas, motoqueiros sem capacetes, crianças e cachorros magros, casebres com portentosas parabólicas. Foi neste instante que percebemos que a ida seria muito mais demorada do que supúnhamos.
Trilha sonora da viagem, em nosso player:
- Skank- Estandarte
- Trilha sonora do filme “Alta Fidelidade”
- Julieta Venegas- Acústico MTV
- Trilha sonora da minissérie “Queridos Amigos”
- In the rainbows- Radiohead
No roteiro estava previsto o almoço na divisa de Sergipe com Alagoas, em um lugar chamado Propriá, mas passamos por lá quando o dia quase dava lugar para a noite na dança cósmica do tempo. Estávamos a apenas 60 KM de Penedo, onde o nosso “Velho Chico” encontra com o mar, e foi emocionante vê-lo do alto de uma ponte na divisa entre os dois estados. Fez-nos esquecer até do atraso da viagem. Se antes imaginávamos chegar em Recife, nossa primeira parada, depois de umas vinte e cinco horas de viagem agora a previsão pulara para quase trinta horas, se outros contratempos não aparecerem.
De volta a Recife eu liguei para uma amiga que conheço via Orkut, a Soraia. Infelizmente não foi possível nos vermos nesta breve incursão à cidade dela. Imaginei que teríamos duas noites na capital pernambucana, mas o atraso na viagem nos deu apenas uma noite por aqui, e ficou impossível marcar alguma coisa em cima da hora. Tentei falar também com a Damiana, outra boa amiga encontrada nas entranhas da Internet, mas seu telefone deu ocupado.
Mas meu maior lamento foi não ter tido a oportunidade de conhecer uma pessoa que mora em Paulista, cidade da região metropolitana de Recife, a Karla. Nós nos correspondemos a mais de quinze anos e não consegui contactá-la para pormos fim a essa longa espera. A gente se escrevia, quando nem havia e-mail, e depois nos falamos por longos anos pelo telefone. Até que nos descobrimos no mundo admirável e louco da Internet. Mas o número que tinha dela, e que liguei do hotel, não existia mais e ela não respondeu ao recado deixado no Orkut. Desta forma não nos vimos. Uma pena.
Curiosidade: Conheci Karla quando uma cartinha enviada por mim foi parar na revista de mexericos Contigo. Eu convidava fãs de Airton Senna para se corresponderem comigo. Dezenas de cartinhas chegaram até mim, em Serranópolis, minha cidade, mas apenas a amizade virtual de Karla sobreviveu, e sobreviverá, mesmo com esse contratempo.
De noite, eu, Cá e Daiane fizemos uma verdadeira via-crúcis em busca de um restaurante para jantarmos. E fechamos nossa noite no Carrefour, onde funciona um restaurante oriental. A comida e o papo foram ótimos. Biscoitinhos da sorte, consumidos no fim da refeição, falavam de realizar sonhos neste novo ano. Certamente estamos começando muito bem esse 2009 com essa viagem, que certamente terá novos e emocionantes capítulos nos próximos dias.
Insight: Vinte de janeiro entrou pra história mundial como o dia em que Barack Obama se transformou numa lenda ainda vivo, e muito vivo. Citação oportuna: “A figura política de mais viva personalidade é sempre a que está mais sujeita ao perigo do assassinato, pois motiva profundos e contraditórios impulsos em amigos e inimigos e, assim, agita a oscilação dos desequilibrados” – frase de Norman Mailer, ao falar de Kennedy, numa Piauí que estou lendo durante esta viagem. Mas a frase é oportuna também para Obama, que acaba de tomar posse como o homem mais poderoso da Via Láctea.
Acabei de descobrir: Um jornalista nunca tira férias por completo.
20 de janeiro - Havia uma pedra no meio do caminho
Na primeira hora do dia chegamos em Recife. Encontramos a cidade, com seus arranha-céus, bastante tranqüila. Todos estavam cansadíssimos após sacudirmos por intermináveis trinta e duas horas dentro do ônibus. O hotel em que nos hospedamos era bom e rapidinho subimos com as malas e fomos dormir, ansiosos pelo primeiro dia de praia.
O mar, que nós mineiros, em sua maioria, vemos apenas uma vez por ano, estava lá, logo depois da avenida, em frente ao prédio, e bastou seu vulto negro e seu cheiro e barulho inconfundíveis para nos dar a certeza: as férias estavam, enfim, começando para valer.
Por volta das nove da manhã seguimos para Porto de Galinhas. Sei que é estranho começar um passeio assim logo pela cereja do bolo, mas a ida na “praia mais bela do Brasil” como a maioria das pessoas se refere a esse paraíso, foi o primeiro item de nossa programação.
O que Porto de Galinhas tem: Coqueiros espalhados por quatro quilômetros de areia branca e batida, com águas transparentes e mornas. A melhor hora para se visitar os aquários naturais é na maré baixa.
Eu estava tão anestesiado com a beleza da praia que não vi uma enorme pedra em minha frente quando entrava no mar pela primeira vez. Meu dedão encontrou a tal pedra e uma dor lancinante tomou conta de mim. Doeu demais. A unha ficou azul na mesma hora.
Eu e minha esposa entretidos com milhares de peixinhos
Mas o passeio valeu a pena mesmo assim. Fomos de jangadas até as piscinas naturais famosas e nadamos com os peixinhos. Um espetáculo. Depois eu, Cá e Daiane comemos uma deliciosa tapioca na charmosa vila de Porto de Galinhas, na rua Beijupirá, onde tudo acontece.
História: “Tem galinha-d´angola nova no porto!” - essa era a senha dos contrabandistas de escravos para avisar os senhores de engenho da chegada de uma nova carga vinda da África, no tempo em que já estava pegando mal essa história de escravidão. Daí o nome da praia.
Outro destino certo, após o dia na praia, foi à farmácia, onde comprei um anti-séptico para o dedo, que latejava. Mesmo com esse percalço tive a nítida sensação de ter conhecido um lugar único, talvez até a mais bela praia do Brasil. A se lamentar apenas o fato de ficarmos somente um dia neste lugar.
11:09 AM
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21 de janeiro - Máscaras, e não apenas as carnavalescas
Nossa estadia em Recife terminou e, antes de fechar a conta no hotel, dei um mergulho nas águas da Praia de Boa Viagem, onde tem alguns tubarões e é prudente nadar apenas no rasinho.
Depois seguimos para um passeio em Olinda, a bela e histórica primeira capital de Pernambuco, após fazermos um city tour por Recife, cidade conhecida como “Veneza Brasileira”, graças a seus diversos rios e pontes.
O passeio foi excelente. Vimos em Olinda as primeiras demonstrações de que o carnaval se aproxima, com os famosos bonecões espiando das casas antigas aqui e acolá. Conhecemos também igrejas, o Mosteiro de São Bento, o túmulo de Dom Hélder Câmara, notável figura religiosa e política do Brasil, e subimos e descemos ladeiras. Nas lojas de artesanato encontramos coisas belas e caras, inclusive lindas máscaras de carnaval.
O carnaval chega mais cedo por lá
Um grande passeio que alimentou em mim e em Camila o desejo de passar um carnaval nesta terra abençoada, ao som de muito frevo e maracatu. Se bem que basta ficar longe do axé de Salvador para o carnaval ser minimamente suportável. Mas certamente aqui as folias momescas são verdadeiramente especiais.
Outros atrativos: O guia mostrou de onde parte o famoso “Bacalhau do batata” e mostrou também a casa de Alceu Valença, que virou atração turística. Ele não estava lá. Aliás, ele nem mora lá.
Hoje tivemos um erro de estratégia por parte dos organizadores da excursão. O problema é que depois de subir e descer as ladeiras centenárias de Olinda seguimos direto para o suposto “por do sol mais bonito do Brasil”, na Praia do Jacaré, na Paraíba, nas proximidades de João Pessoa. Pegar a estrada sem tomar banho não é uma boa experiência, a não ser que você seja da mesma terra de Sarkozy, e como tragédia pouca é bobagem, o ar condicionado do ônibus pifou.
Comecei a observar muitas coisas erradas nas atitudes dos guias turísticos que nos acompanham. A principal delas é a ausência de uma certa postura que deve acompanhar esses profissionais. Foi dito pra gente na saída em Montes Claros que nós estávamos de férias e eles, guias, estavam a trabalho. Não é o que parece. Atrasos, informações truncadas e o péssimo estado do ônibus depois destes dias corroboram essa impressão.
Hoje aconteceu um evento na hora do almoço, já de volta a Recife, que uniu bastante os viajantes. Até então todos ainda estavam muito reservados, mas bastou um almoço em um restaurante caro para unir toda a trupe, com direito a muitas risadas ao final desta aventura gastronômica. O problema era o preço do quilo de comida, R$ 39,90. Ninguém perguntou o preço e foi colocando suas pratadas, devidamente reforçadas com a energia exigida nas ladeiras de Olinda.
O restaurante era mal intencionado, pois os atendentes colocavam nas notinhas números como 520 ou 630. Todos imaginaram que esses números representavam o valor a pagar, ou seja: R$ 5,20 e R$ 6,30 respectivamente. Mas esse número representava o peso da comida em gramas, e muitos, diante do “preço” módico e da comida excelente, repetiram a dose.
Na hora de pagar foi um susto. Eu e Camila pagamos mais de R$ 40,00 reais e o papo no ônibus a partir daquele momento foi só sobre as “facadas” que todos levamos. E, já que todos se deram mal, o jeito foi rir da desgraça coletiva. Quer dizer, apenas o Renê, um empresário que viaja com sua família, disse que o restaurante talvez tenha errado sua conta, já que a comida dele, da esposa e das duas filhas ficara em R$ 34,00 reais. Pelo visto só ele se salvou.
Piadinha que fiz sobre a situação: Na hora da sobremesa uma dona foi pesar uma cereja e apareceu o preço da iguaria: R$ 1,20.
A idéia era chegar na tal Praia do Jacaré antes das 16h30, quando o espetáculo começa, mas chegamos por volta das 18 horas. E o pior, estava nublado. Ninguém viu nada de por do sol e eu confesso que fiquei decepcionado. Primeiro porque a tal praia é fluvial, e segundo porque estávamos de mau humor com a falta de ar condicionado. Um fiasco. Talvez em outra ocasião o poente naquela região possa ser apreciado, mas desta vez foi um mico.
Seguimos viagem para Fortaleza, debaixo de chuva. De madrugada, quando passamos por um posto de gasolina no interior do Rio Grande do Norte, eu e outros companheiros de viagem resolvemos usar as mantas do ônibus como toalha e fomos tomar banho nos banheiros imundos da parada. Senti-me um presidiário, já que o chão era sujo e a água fria. Pelo menos diminuiu o calor senegalesco e pude dormir um pouco na jornada rumo a Fortaleza.
22 de janeiro - As novas amizades
Chegamos no ponto mais distante de nossa viagem, a bela e violenta Fortaleza. Uma metrópole a beira-mar do porte de Belo Horizonte, e com uma vida noturna invejável. Mas cheguei aqui com bastante medo, pois a criminalidade da cidade é grande, conforme uma matéria que assisti ainda em Minas e que mostrava a ação de trombadões em plena orla de Iracema. E para onde fomos nos hospedar? Em Iracema, claro. Portanto a ordem era ficar alerta.
Chegamos cedinho e fomos logo nos hospedando em um flat, equipado com micro-ondas, fogão e outros confortos, e o nosso quarto era de frente para o mar. Uma beleza.
De tarde fomos para a Praia do Futuro, aquela mesma eternizada na música Terral, de Ednardo. A praia, que fica dentro de Fortaleza, é linda. Águas limpinhas e azuis e ótima estrutura para receber os turistas. Foi uma tarde ociosa e divertida.
Na volta uma roda de piadas e causos no fundo do ônibus tratou de nos aproximar ainda mais da família de Renê e de meu colega de profissão, Jean Paulo, que viaja em companhia de sua esposa Cláudia. Renê mora seis meses na Suíça e seis meses no Brasil e tem um papo excelente, e Jean Paulo é divertido e espirituoso.
Eu e Jean, embora sejamos conhecidos, nunca fomos amigos de fato, mas a convivência que estamos tendo me fizeram ver o quanto ele é bacana e gente boa. Eu o conheço há quase uma década e precisou viajarmos tantos milhares de quilômetros para perceber que podemos ser excelentes amigos. Como diria o “filósofo” Ritchie, “A vida tem dessas coisas”.
Ah, por falar em René, hoje ele conferiu o extrato do cartão e o almoço de ontem em Recife custou-lhe exatos R$ 134,00 reais. Risadas gerais.
23 de janeiro - Adrenalina e risadas
De manhã eu e Cá fizemos uma caminhada pelo calçadão. Tivemos o cuidado de não levar nada de valor. Caminhamos até um caixa do Banco do Brasil, onde sacamos uma pequena quantia. Logo depois do farto café da manhã seguimos para o Beach Park.
Foi um dia de aventuras, tendo Camila e Daiane como companheiras, já que a maior parte da excursão preferiu ficar do lado de fora do “parquão”, cuja entrada era R$ 95,00 reais por pessoa. Um assalto, ainda mais se levarmos em conta o valor de nosso salário mínimo. Mas o incrível é que depois de um dia de lazer por lá fica a nítida impressão de que valeu a pena o “investimento”. A estrutura é incrível, coisa de primeiro mundo. E as atrações são inacreditáveis.
Fiquei assustado e pensativo sobre o limite do que é considerado “radical”. Fui em toboáguas que se encaixam nesta definição e a sensação que posso descrever é a de completo pânico. Não é divertido. É assombroso. A sensação é que vamos partir desta para uma melhor.
O pavor em forma de brinquedo
Lá tem o auto-intitulado “maior toboágua do mundo”, o Insano. São 41 metros de queda e um torpor parecido com o de morrer. Coisa mole para a galera que precisa provar pra si mesmo sua masculinidade, mas que, na verdade, é uma completa estupidez. Fui nesse e ainda fui no Sarcófago, que muitos juram ser ainda mais radical do que o Insano, já que a queda íngreme se dá no mais absoluto breu. Consegui, é verdade, mas não pretendo voltar e tampouco recomendo pra ninguém. A sorte é que o parque aquático tem dezenas de outras atrações, algumas verdadeiramente divertidas.
Onde vamos parar: acredito que em breve teremos brinquedos onde a morte vai aparecer de vez em quando. Algo como “venha saltar no Estupidator X, que só na semana passada matou três”. O limite do “radical”, por definição, só pode ser a morte.
A volta para o hotel foi divertidíssima. Muitas piadas e de novo situações envolvendo os altos preços da temporada de férias. Uma cerveja Antartica Original na praia próxima do Beach Park, custava inacreditáveis R$ 9,90. Jean, sempre espirituoso, disse que ao invés de copos eles pediram tampinhas de garrafas para os garçons e que passaram o dia inteiro com uma única Skol, comprada por R$ 6,50.
De noite fomos a um show de humor. Os comediantes Papudin e Alex Nogueira fizeram apresentações muito engraçadas. Em especial este último, que foi o vencedor de um quadro no Faustão, que revelou humoristas no ano passado.
Mineiros: Não vi muitos conterrâneos em Fortaleza. A maior parte dos turistas parece ser de São Paulo, Rio, Goiás e Manaus.
Nosso programa se estendeu um pouco além da conta e, depois de um filé a chateaubriand insosso degustado na própria orla do hotel, voltamos a pé por volta da meia noite. Ainda bem que nossos anjos da guarda estavam de plantão, e olha que o meu provavelmente se recusou a acompanhar-me hoje em alguns momentos, como no Insano, no Sarcófago...
24 de janeiro - Encontro marcado
Logo cedinho fomos para a Praia de Cumbuco, nas proximidades da capital Fortaleza. Esta praia não está entre as mais cobiçadas do Nordeste, mas tem lá seus encantos, sobretudo no que diz respeito a passeios de cavalo e de quadriciclos, mas confesso que não gostei muito, ainda mais porque o mar estava cheio de algas.
Nós em Cumbuco
De lá saímos para as compras no enorme mercado de Fortaleza. De novo decepcionei-me. Imaginava algo mais rústico, só com artesanato, mas é incrível a grande quantidade de comércio de roupas que de artesanais não tem absolutamente nada. Pelo menos arrumamos um bom e barato almoço e compramos algumas lembrancinhas.
Mencionei aqui que Fortaleza tem uma excelente vida noturna. Basta analisar os principais shows que a cidade oferecia neste sábado. Tinha Jota Quest de graça numa certa Reserva do Cocó, tinha a cantora canadense Alanis Morissete numa sofisticada casa de shows e tinha o mineiro Vander Lee no Dragão do Mar. Fomos para este último, graças, sobretudo, à tietagem de Daiane em relação a este promissor cantor mineiro.
A ida a Fortaleza fez com que eu conhecesse um amigo do Orkut, o Márcio Fernandes. Ele é músico e foi nosso cicerone no amplo centro de cultura denominado “Dragão do Mar”. Coube a Márcio dar-nos uma má notícia, quando ele ligou para falar comigo no hotel. Não havia mais ingressos para o show de Vander Lee. Estavam esgotados.
Mesmo assim seguimos pra lá, na esperança frívola de uma desistência ou de um milagre. Mas não teve jeito. Vimos o show de uma passarela, que ficava ao lado do anfiteatro. No final Daiane conseguiu tirar fotos com o cantor e eu, Cá e Márcio saímos para conhecer um pouco do imponente prédio, que abriga shows, exposições e toda sorte de gente em seus milhares de metros quadrados. O lugar é lindo, mas o seu entorno é perigoso.
Eu e Cá pedindo a benção para Patativa do Assaré
Encontramos Daiane, Jean e Cláudia assustados com a quantidade de brigas que presenciaram. Então decidimos pegar um táxi e encerrar a noite.
O programa noturno foi bom porque pude conhecer Márcio, que agora faz parte da minha lista de amigos reais, deixando de ser apenas um profile do Orkut. Ele me presenteou com um CD e um DVD com suas performances musicais e certamente agora tenho um grande amigo na bela e perigosa Fortaleza.
25 de janeiro- “De Canoa Quebrada até Cochabamba...”
O passeio tinha jeito de ser imperdível. Iríamos conhecer a mítica e riponga Canoa Quebrada. Fechamos a conta do hotel e nos pusemos a caminho logo cedo.
Antes de chegarmos na praia, tivemos um contratempo. O ônibus foi parado pela polícia do Ceará, que se movimenta nas viaturas mais modernas do país, e o vigilante rodoviário aplicou uma multa no motorista Agenor. As razões ficaram nebulosas. Ele me disse, após o incidente, que foi porque o velocímetro estava com defeito, mas depois surgiram outras versões, uma delas dando conta que o responsável pela multa seria alguns pneus carecas do ônibus. Mas isso não importa, já que estávamos indo para uma das praias mais famosas do Brasil.
O passeio foi emocionante. A praia é lindíssima, com suas falésias alaranjadas contrastando com o mar esverdeado. A paisagem impressiona e é necessário caminhar pela praia para ver as belas barracas que tem lá, principalmente a Lazy Days, onde tomamos água de coco.
O que Canoa Quebrada tem: Faixa de areia fofa e clara, vila de pescadores, falésias cor de laranja madura em forma de meia lua, mar verde e morno e jangadas, muitas jangadas.
A gravação dos capítulos iniciais da temporada 2009 de “Malhação” na praia parece ter ajudado na divulgação ainda maior deste cantinho do Brasil. Tinha muita gente na praia e grande parte queria ver a casa onde foram gravadas as cenas e o barzinho que abrigava a produção, o já citado Lazy Days. Para mim, e tenho certeza que para Camila, estes detalhes não tem a menor importância. Mas o fato é que Canoa Quebrada não deveria ser visitada em apenas um dia. Fiquei sabendo que lá tem luais imperdíveis e outras atrações que um dia somente não dão conta de contemplar. Pretendo voltar aqui, algum dia.
Comemos um saboroso peixe na telha, com uma cervejinha gelada. Passeamos pelas falésias e tiramos dezenas de fotos, inclusive do famoso Jegs Bar, um barzinho ambulante puxado, claro, por um jegue. E depois seguimos para Natal.
Conferindo o menu do famoso bar ambulante
Nosso jantar foi na cidade de Lajes, no Rio Grande do Norte. Desta vez encontramos uma ótima estrutura. Chegamos na capital potiguar às 22 horas. O cansaço era grande e fomos dormir. A viagem só está na metade.
26 de janeiro - Com emoção
Em Natal o sol nasce muito cedo e antes das 5 da manhã ele espiava por sobre os prédios da bela e limpa capital do Rio Grande do Norte. A cidade me impressionou com seu jeito de Dumbai sertaneja, e sua imponente ponte recém construída e suas ruas cobertas de areia.
O hotel, como os das outras capitais, é muito bom. Mas o daqui tem até elevador panorâmico. Em Recife ficamos no Jangadeiros. Em Fortaleza no Iracema Residence. E agora estamos no Olimpo, muito próximos do principal cartão postal da capital, o Morro do Careca, na Praia de Ponta Negra.
Riqueza e pobreza: O Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor de petróleo do Brasil. Só perde para o Rio de Janeiro. Mas seus índices de desenvolvimento estão entre os mais baixos do país. É o famoso abismo da desigualdade social.
Nosso passeio foi na famosa praia de Genipabu, que fica no município de Extremoz, pertinho de Natal. Começamos com uma volta de buggy nas famosas dunas e o passeio foi “com emoção”. É esta a senha para o bugueiro caprichar nas manobras radicais. Foram muito boas as quase duas horas sobre as dunas. Fotos ótimas e muito calor na moleira. Confesso que cheguei a ver dromedários lá em cima, mas acho que deve ter sido uma miragem depois de tanto sol.
Um árábe?
É difícil descrever a beleza das dunas de Genipabu sem recorrer a lugares-comuns, mas certamente a visão da lagoa preservada que fica no parque das dunas é essencial para entendermos porque o Brasil requer para si a primazia de ser a morada de Deus. E se ele é realmente brasileiro certamente tem uma casa de verão por aqui.
O nosso passeio demorou mais do que o normal porque uma senhora de Recife que conhecemos na hora de sair com o buggy, e que nos acompanhou no passeio radical, resolveu, lá no alto das dunas, dar uma volta no tal dromedário. Desta forma ganhamos minutos preciosos no alto das dunas, mas depois de duas horas o que mais queríamos era mesmo um bom banho de mar. O passeio vale a pena, mas é meio caro. Custa R$ 45,00 por pessoa.
Dando corda na bailarina
Quando enfim voltamos para a praia eu não resisti e dormir umas duas horas na sombra do guarda-sol, após uma rápida leitura de um livro de crônicas de Paulo Mendes Campos. Foi providencial porque o sol quente me deixou cansado.
Depois desta pausa o jeito foi saborear uma cerveja geladinha e curtir o resto da tarde neste lugar lindo.
10:50 AM
Mensagens de amor e ódio:
27 de janeiro - O incrível ônibus que encolheu
O ônibus em que estamos viajando, de uma hora pra outra, encolheu. É essa a impressão que temos quando fazemos um trajeto um pouco maior, e hoje tivemos um desses. Não há mais posição confortável para as pernas e as costas doem um bocado. O trajeto de Natal a Praia da Pipa é de aproximadamente 85 quilômetros e a expectativa era das melhores. Alguns viajantes experientes da excursão, como o bon vivant Tim, dizia que era uma das praias mais bonitas do Brasil. “Mais bonita que Porto de Galinhas”, ele chegou a dizer, enquanto nos dirigíamos para lá. Antes de avistarmos o mar, combinamos um passeio de barco que nos levaria para ver os golfinhos. Nem sabíamos que isso era possível, e esse fato revelou mais um defeito nos nossos guias, a falta de informação.
Apenas para ilustrar este defeito basta dizer que o último sábado em que estávamos em Fortaleza o guia se limitou a dizer que tinha show do cantor sertanejo Eduardo Costa na capital cearense, mesmo com opções mais gabaritadas como Alanis, Jota Quest e Wander Lee nos palcos de lá. Às vezes até temo estar perdendo algo relevante devido à desinformação crônica do casal incumbido de nos mostrar as belezas desta região de cabras machos.
História em curso: Aqui no Nordeste a figura de Lampião é onipresente. Em todos os lugares em que estivemos ele é reverenciado. No Sudeste e no resto do Brasil ainda temos uma visão do famoso cangaceiro como vilão, mas por aqui ele é um Robin Hood da caatinga. Os fazendeiros da época, inimigos de Lampião, eram verdadeiros crápulas, que roubavam terras e mandavam matar seus inimigos, usando suas prerrogativas de “coronéis”. Era contra eles que Lampião e seu bando se opunham. Comprei uma camiseta com a efígie dele em Olinda. Acho até que é mais apropriado, nos dias atuais, vestir uma camisa com a figura de Lampião do que com a de Che Guevara.
Entramos na praia através de uma escada íngreme. E, meu Deus, que coisa linda! A praia é deslumbrante. A maré estava baixa e piscinas se formam nestas condições, oferecendo um espetáculo de beleza e tranqüilidade. Um convite e tanto para deitar-se na água mansinha e curtir a manhã de sol neste lugar lindo do Brasil. Tim tinha toda razão.
Eu e Camila na paradisíaca Pipa
Logo chegou a nossa vez de ver os golfinhos. Colocamos os salva-vidas e seguimos numa jangada motorizada até a escuna, que nos aguardava depois das ondas. O passeio foi maravilhoso, e depois de uns dez minutos começamos a avistar os tais animais. Eles desfilaram bem próxima do barco e foi possível fotografá-los. Um espetáculo incrível e inesquecível. Depois fomos nadar em mar aberto, com salva-vidas.
Só não foi melhor porque pelo menos metade dos turistas a bordo mareou feio, inclusive toda a nossa turma, com exceção da espevitada Rosalina, uma senhora com alma de menina, que ainda tomou sua caipirinha no deque do barco.
“Vamos dar prioridade aos mareados”, gritou o comandante do barco, quando a jangada motorizada se aproximava. Camila foi na primeira remessa de volta à praia, e eu fui na segunda.
Apesar do enjoo quase coletivo o passeio foi excelente. Bastou uma água de coco geladinha e os dois pés em terra firme para abrandar o estômago. E depois tínhamos ainda boa parte da tarde para curtir a fantástica Praia da Pipa, portanto não seria uma indisposição qualquer que tiraria nosso humor.
O que Pipa tem: Longa faixa de areia, com trechos isolados por encostas altas. Tem também a Avenida Baía dos Golfinhos repleta de lojinhas e bares descolados. Na maré baixa dá pra caminhar até a Praia do Amor, uma das mais belas destas plagas.
28 de janeiro - Dia de estresse
De manhã saímos para fazer um city tour por Natal. Este foi o melhor guia que a excursão arranjou, um sujeito bem informado e brincalhão chamado Rubens. Em sua fala ele comprovou meu receio de que pudéssemos estar perdendo algo importante em Natal. Ele disse que terminava naquele dia uma mostra internacional de artesanato, com estandes do mundo inteiro e entrada a 3 reais.
Nossos guias, em sua lerdeza, nem imaginavam algo assim. Ele ainda deu uma bronca nos nossos organizadores dizendo que a contratação de um guia local deve ser feita no primeiro dia, quando as atrações da cidade são listadas para os turistas. Simples e óbvio. Pena que nem todos tem essa simplicidade de raciocínio.
Um raciocínio rápido: Eu e Camila fizemos uma escolha racional ao optarmos por tal viagem, mesmo com os percalços citados aqui. Nossa idéia original era viajar de avião e ficar uma semana na idílica Porto de Galinhas, mas essa opção de turismo na qual estamos, o chamado “cruzeiro rodoviário” oferece uma gama maior de praias e destinos em duas semanas de viagem pelo mesmo preço que uma semana para um só destino indo de avião. Foi uma escolha baseada na quantidade, mas, infelizmente, nem sempre fazendo jus à qualidade. Hoje sentimos os efeitos deletérios de tal escolha.
Chegamos no maior cajueiro do mundo, que fica em Natal, na Praia de Pirangi do Norte. Ouvi falar desse cajueiro pela primeira vez graças ao programa da Regina Casé, que revelou para o Brasil a figura carismática de Tom do Cajueiro, um guia turístico mirim que encantava os turistas com suas informações e seu carisma.
Agora os guias são adultos, e a exploração da árvore se dá em bases profissionais. Mas nem sempre foi assim. O cajueiro, que em sua florada dá mais de oitenta mil frutas, é a mola propulsora de Pirangi, e agora os ambientalistas defendem que casas sejam destruídas em seu entorno para que o cajueiro continue crescendo.
Nós no cajueiro
O receio, entretanto, é que ele cresça demais e tome conta de Natal, do Rio Grande do Norte e até do Brasil. Essa é uma das piadinhas contadas pelos guias, outra é sobre um casal de turistas que ficou perdido no cajueiro e quando foram encontrados, um ano depois, já não eram mais um casal e sim uma família.
O passeio vale mesmo a pena. Ainda mais depois que constatei que até mesmo JK esteve aqui nos anos 1950.
Informação do guia Rubens que eu não tive ânimo para conferir: Tom do Cajueiro hoje mora em Brotas, interior de São Paulo. Ele é o secretário de turismo de lá.
O nosso dia ainda não terminara. A guia, com sua voz pastosa, disse que tínhamos que sair mais cedo, porque tentaríamos mais uma vez, na ida pra Maceió, ver o tão famigerado crepúsculo na Praia do Jacaré. E não é que deu certo!
O por do sol é mesmo muito bonito e a execução do Bolero de Ravel na hora final do dia tem carrega simbolismo muito grande, sendo uma trilha sonora adequada para a ocasião. O músico Jurandir, responsável pelo toque erudito, também executa a Ave Maria nos estertores do dia. O sol no horizonte do Rio Paraíba é realmente muito bonito, e é importante lembrar que estamos no lugar mais oriental do Brasil, então os predicados atribuídos ao tal anoitecer se justificam plenamente.
Até aí tudo bem, o problema veio a seguir. Ficamos tempo demais na tal praia e o movimento tinha terminado quando, por volta das 21h30 deixamos o lugar. Lembro de ter comentado com uma farta dose de ironia, que quase conseguimos ver o nascer do sol por lá “que, dizem, é lindíssimo”.
29 de janeiro - A última praia
Seguimos então para Maceió, só que o trecho entre João Pessoa e a capital alagoana não é tão longo e chegamos na região metropolitana de Maceió por volta das 3 da manhã. O que se seguiu foi uma espera interminável até que o dia começasse a nascer para chegarmos a tempo de assumir os quartos no hotel. Fiquei possesso com essa situação e externei minha revolta, diante do fato de passarmos a noite na estrada, em um ponto de parada com comidas e bebidas caríssimas. Outros passageiros se revoltaram, mas não teve jeito para contornar a situação. Chegamos em Maceió e até que os quartos fossem liberados tratamos de tomar um café improvisado em uma padaria próxima do hotel.
O dia parecia que seria assim, chato. Mas de tarde eu, Camila, Daiane, Jean e Cláudia fizemos um passeio excelente a pé e de táxi por Maceió. Visitamos prédios históricos, museus, exposições, na região revitalizada de Jaraguá, uma antiga área portuária que hoje está recuperada e pulsante. Nosso objetivo era achar um sebo incrível que Cláudia descobriu em um panfleto no hotel. Mas conseguimos muito mais que isso. Descobrimos a Maceió profunda, uma cidade limpa, organizada e jovial.
Nós no sebo
Ainda no hotel li numa revista de turismo que levei pra viagem que o agito noturno se concentra na rua Sá e Albuquerque, e foi justamente nesta rua que encontramos a Livro Lido, o ótimo sebo e cafeteria ao qual dedicamos laboriosas horas, garimpando relíquias.
Saímos de lá com uns dez livros. Eu e Cá compramos dois. “O cheiro de Deus”, de Roberto Drummond e “200 crônicas escolhidas”, de Rubem Braga. Tudo por R$ 20,00 reais. Uma pechincha. Depois fomos jantar, com a turma já citada e mais Renê e sua esposa Alba. Comemos uma peixada com camarões deliciosa, e honesta, em um restaurante próximo do hotel. Boa e barata, como devem ser os programas para quem está em fim de viagem.
30 de janeiro - Hora de dizer adeus ao Nordeste
“Está chegando a hora...”, aquela velha marchinha começa a soar em nossos ouvidos. Hoje fomos na última praia do roteiro. A surpreendente Praia do Francês. Surpreendente porque fica a meia hora de Maceió e porque tem belezas que a posicionam também entre as mais belas de nosso litoral. Procuramos aproveitar ao máximo tudo que a praia tinha a oferecer e isso incluiu comer uma peixada soberba, acompanhada de suculentos camarões. As águas mornas também ajudaram neste gran finale de uma viagem que, mesmo com alguns contratempos, foi excelente.
Nesta praia existem diversas duplas de repentistas. Eles se postam diante das mesas e começam a destilar suas bem humoradas rimas. Estávamos conversando quando uma se aproximou. Logo eles começaram a cantar e nós, eu, Camila, Daiane, Renê, Jean e outros, evitamos dar muita atenção para ver se eles se tocavam.
Esqueci de mencionar que depois da cantoria eles pedem um trocado pelos versos, e quando se dá muita atenção a pedida costuma ser grande.
Um deles extraiu a informação de onde éramos e começou a fazer seus versos. Em um ele citou a Praça Doutor Carlos, nosso principal logradouro no centro e isso catalizou todas as atenções da mesa paras seus versos. Logo ele disse que Renê se parecia com o dono do Bretas, mostrando que de fato conhecia Montes Claros.
Depois eles ainda teceram loas a mim e a Camila, dizendo que nós dois parecíamos com atores globais e isso tudo custou-nos R$ 2 reais, único dinheiro em espécie que possuíamos. O jogo de cintura da dupla foi formidável.
O que encontrar na Praia do Francês: Águas que variam do azul ao verde-escuro. No flanco esquerdo, barreira de corais, ondas calmas e restaurantes em frente. No lado oposto, ondas fortes. A impressão que se tem é que a praia já viveu melhores dias e uma certa decadência pode ser sentida.
A praia pertence a um município histórico de Alagoas chamado Marechal Deodoro, que fica somente a dez quilômetros de lá. Infelizmente os nossos guias turísticos devem desconhecer essa informação e ficamos sem ver o belo casario centenário tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. E, além do mais, a cidade vive dias movimentados nesta semana em função da gravação do filme “O bem amado” por lá, e dar uma olhada nos sets certamente seria um programão para cinéfilos como eu e Camila. Uma pena, pois fizemos quase tudo que nos apeteceu nestes dias de paz e tranqüilidade.
Saindo da praia, após um relaxante dia de sol e de mar, passamos em um bairro de Maceió onde é possível comprar rendas e outros tecidos direto das bordadeiras. O preço é bem em conta, mas a dica chegou tarde demais. Camila ainda fez as últimas compras.
De noite fomos ao shopping Iguatemi, um dos maiores de Maceió e comemos um cachorro quente para economizar. Realmente a verba de viagem estava no fim e optamos por finalizar os agitos e compras em nome do bom senso. O táxi ficou baratinho, pois o dividimos entre eu, Cá, Dai, Jean e Cláudia, a turma inseparável dos últimos dias de viagem.
Depois fomos dormir, na última noite sob a lua da gostosa e quente Maceió.
31 de janeiro- On the road again
Hoje foi o único dia em toda viagem em que acordamos tarde. Por volta das 9 da manhã. A manhã era livre e fomos fazer as malas. Tomamos café e depois fechamos o quarto. A saída estava prevista para as 13 horas, mas um atraso fez com que saíssemos por volta das 14h30. Pelo menos o atraso foi por uma justa causa. Concertaram o ar condicionado.
No fim do dia, depois de uma viagem aprazível, boa parte assegurada por nós, que compramos dois excelentes filmes para serem vistos na estrada, longe da ruindade dos filmes escolhidos por nosso guia na ida, passamos sobre o São Francisco entre Alagoas e Sergipe no entardecer e vimos um maravilhoso por do sol.
Não teve como não conter um grande arrepio e aplausos quando passamos no querido e robusto São Francisco, o “nosso rio”, que nasce lá em Minas e banha docemente todo o sertão.
O jantar foi novamente em Umbaúba, Sergipe. A viagem foi ótima porque os viajantes cantaram alegremente pela estrada. Artifícios assim realmente tornam a viagem mais branda, porque as pernas encolhidas começavam a incomodar. Pelo menos as minhas doeram muito na volta.
Bons filmes que assistimos na volta:
- Som do coração
- Antes de partir
E outros que podem agradar nestas condições específicas:
- Pequena miss sunshine
- O auto da compadecida
- Tapete vermelho
1º de fevereiro - O fim da odisséia
Dormir profundamente ajudado por um Dramin e não vi a parada para jantar em Milagres, já no estado da Bahia. Só fui comer alguma coisa em Vitória da Conquista, onde saboreamos o café da manhã: café com pão de queijo.
A parada para o almoço foi em Salinas, onde nos despedimos da família de João que, dizem, é cantor. Pelo menos na viagem ninguém comprovou esse talento. Logo seguimos para Montes Claros, aonde chegamos por volta das 15h30, vinte e cinco horas depois de deixarmos Maceió para trás, pondo fim a nossa odisséia nordestina.
Notem que em momento algum eu citei nome de guias em minhas críticas fundamentadas e, se por ventura, eles lerem esse texto algum dia, saibam que o mesmo serve para alertá-los sobre a necessidade de caprichar um pouco mais nos detalhes, porque somente as belezas hipnóticas do Nordeste não são suficientes para dirimir os erros que existiram e que não foram poucos.
Mas se me perguntarem se nos divertimos bastante nestes dias, eu seria capaz de encher o peito com orgulho e dizer categoricamente: “Nos umbaubamos de verdade”.
Poema Ligeiro:
Pinguinho de gente
O pinguinho de gente não precisa se esforçar
para tirar da gente um pinguinho de inocência
enquanto ela sorri para a vida que supõe eterna
faz-nos perceber que ela é de fato eterna.
Pois sempre haverá pinguinhos de gente assim
para por na gente um pinguinho de esperança
enquanto seu sorriso, que um dia esteve no meu rosto
desafia as caras fechadas e assim deveria ser sempre.
Pois enquanto houver pinguinhos de gente assim
para tirar da gente um pouco o peso de ser adulto
com nossas preocupações e reuniões inadiáveis
podemos crer que seremos felizes, um pinguinho assim.
Citação oportuna: “Consciência é aquela voz interior dizendo que alguém pode estar olhando”- H.L. Mencken
Filtro- Como separar Piaget de Pinochet, segundo a ótica deste modesto blogueiro:
Filme: Ensaio sobre a cegueira- O filme não tem a pirotecnia de Hollywood, e isso é muito bom
Música: Desabafo, do Marcelo D2, uma das que mais ouvi nestas férias.
Livro: Quatro histórias de ladrão, de Paulo Mendes Campos, que li na praia
Net: Esse conversor ortográfico irá mudar sua vida. É só colocar o texto aqui e ele "traduz" para as regras do novo acordo ortográfico
Outras Bossas: Esse texto foi escrito na praia, na forma de um diário de viagem, conforme me foi solicitado por Ricardo, grande amigo de Diamantina. As novas regras estabelecidas pelo acordo ortográfico ainda não estavam, e não estão, plenamente dominadas, portanto o texto em alguns momentos ficou "híbrido", mas com o tempo a gente se acostuma.
10:24 AM
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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
Vidas sem letras
O tempo tem seus caprichos. Passei o último ano aguardando as férias de janeiro para, finalmente, escrever aos borbotões e dar vida a personagens e tramas que povoarão meus futuros livros ou, quiçá, apenas figurar entre os milhões de endereços da Internet onde pululam blogs feito beldroega depois da chuvarada. Pois bem, estou neste janeiro e percebo que ele foi idealizado. Simplesmente é impossível escrever bem estando tão feliz e satisfeito. E é assim que me sinto em meio aos meus amigos de infância e minha família, na minha cidade natal. Feliz como pinto no lixo.
E para escrever bem é necessário um bocado de tristeza como a letra do Vinicius apregoa. Ou pelo menos com uma carga razoável de estresse, como foram meus dias até que as férias rompessem o ciclo ocre do cotidiano com seu arco-íris de possibilidades. E agora estou aqui, com amigos batendo na porta de casa me convidando para ir aos belos cartões postais de minha terra, com minha mãe fazendo quitutes que fatalmente me farão caminhar uns três mil quilômetros na esteira da academia quando a boa vida acabar, e com a presença iluminada de minha esposa Camila, e de nossos livros e filmes queridos, dos quais não nos apartamos em nenhuma situação. Então como escrever nas férias? Certamente não será na longa viagem para praia que faremos na próxima semana, e que nos proporcionará momentos de encantamento nas belas capitais do nordeste e na possível visita à foz do Velho Chico, entre outros passeios imperdíveis que faremos.
Talvez eu só retome o salutar hábito de lapidar textos prontos com algum valor estético e dar vida a grandes sacadas e coisas bobinhas como esse texto que você acompanhou até agora quando as férias terminarem e sobrarem somente fotografias e memórias dos dias felizes que vivemos.
Poema ligeiro:
Formigas
Deito-me de bruço sobre a relva
que àquela hora da tarde estava quente.
Do contato do dorso nu com a grama úmida
sinto as formigas que formigavam,
contorcendo-se nos meus pêlos,
passeando pelas dobras suadas,
no seu infinito formigar.
Enquanto eu cochilava,
indiferente à seus formigamentos.
Citação oportuna: "Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito"- Clarice Lispector
Filtro- Como diferenciar alhos de bugalhos, mesmo sem saber o que é bugalhos, segundo o jeito de pensar deste blogueiro:
Filme: O comovente “Som do coração”, apesar da canastrice do Robin Willians
Música: A cantora potiguar Roberta Sá é única, e merece ser ouvida com atenção.
Livro: O recém lançado que traz poemas inéditos de Vinicius de Morais
Net: Quer baixar aquele video do You Tube? Esse site aqui resolve
Outras Bossas: Fiz esse texto nas férias de janeiro, antes de embarcar para uma viagem pelo Nordeste. A razão de um texto requentado é somente para o blog ter um pouco mais de conteúdo já nesta primeira semana de atividades.
9:53 PM
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O Natal de Rosilva
- O que você quer no Natal?- A mãe interpelou a filha logo pela manhã, mesmo antes de dizer “bom dia”.
- O que eu realmente quero ou o que é sensato querer?- respondeu Rosilva, resignada.
A resposta inquietou Simone. A filha, de doze anos, era diferente das outras crianças do pequeno povoado. Ela era inteligente e adorava ler. Suas redações inspiradas eram citadas nas reuniões de professores da escola e lidas nas classes mais avançadas. Rosilva era detestada pelas mocinhas de quinze anos, que não viam nenhuma serventia em ser tão inspirada sendo desprovida de encantos daquele jeito.
Rosilva queria livros, centenas de livros. Desde os pequenos, com letras miúdas, que eram chamados na livraria do shopping de pocket books, até os grandões, com centenas de gravuras, que ficavam na seção de livros artísticos.
Ela sonhava em viver numa casa cercada de livros ou, quem sabe, morar numa livraria. Sua ânsia pela leitura era comovente. Mas a miserável condição financeira de seus pais a impedia de ler os livros de que tanto gostava.
Ela vivia numa área rural de Montes Claros e por lá não havia bibliotecas e tampouco livrarias. Nas vezes em que ia à cidade ela namorava seus objetos do desejo na livraria no shopping. Chegou a se imaginar roubando livros como na história que vira em um best seller à venda. Mas ela não poderia fazer isso, pois sua timidez a impedia de fazer qualquer gesto grandioso. E roubar um livro no shopping certamente exigia muita personalidade, coisa que ela, definitivamente, não tinha.
Rosilva então ficou à espera da volta da mãe, que fora a Montes Claros com o pretexto de fazer as compras do natal. Ela traria, imaginava a moça, uma camisa para seu pai, um chapéu para o avô e um porta-retrato para ela. Ou, quem sabe, o mesmo kit de maquiagem que ganhara no ano anterior.
Quando sua mãe chegou de volta a casa humilde, a certeza de que o presente seria mesmo um kit de maquiagem ou um porta-retrato se tornou nítida, graças ao tamanho e o formato do presente que sua mãe lhe estendera.
Mas, ao abrir o embrulho, ela se deparou com um livro. Sim, um pequeno livro de autoria de Cecília Meireles. O fato de o livro parecer usado, e de fato sua mãe o comprara em um sebo na cidade, não tirou a satisfação de Rosilva.
Ela abraçou a mãe, se esquecendo que sonhava com milhares de livros, alguns com gravuras, ao manusear o pequeno e gasto objeto, e disse-lhe, comovida: “Feliz Natal!”.
A menina sem encantos, pelo menos nos próximos cinco dias, deixaria sua miséria de lado e se poria a sonhar com cada página que virasse de seu livrinho encantado.
Poema ligeiro:
Niestche + Nitidez: “Niestchedez”
Citação oportuna: "Lá na rua em que eu pensava, tinha uma livraria bem do lado da farmácia. Todo mundo ia à farmácia comprar frascos de saúde. E depois ia do lado, pra comprar a liberdade"- Pedro Bandeira
Filtro- O que vale a pena consumir, segundo a ótica deste modesto escriba digital:
Filme: O curioso caso de Benjamin Button
Música: Estou numa fase de ouvir rockões setentistas. Entre os clássicos vale a pena ouvir o Creedence e o Lynyrd Skynyrd, e entre os contemporâneos Black Crowes e Kings of Leon.
Livro: O conde de Monte Cristo, de Dumas, que acaba de ser relançado em rica edição.
Net: Entre e siga meu Twitter
Outras Bossas: Comecei um novo blog. E ele surge das cinzas dos Novos Labirintos. Por isso convido-o para me acompanhar nesta nova fase, com textos interessantes e muita troca de idéia. Espero também seu comentário para avançarmos sempre na busca por respostas ou novas e intrigantes perguntas.
9:02 PM
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